História

Pré-História

Território habitado já na Pré-história como atestam vestígios encontrados nas regiões das Lundas, Congo e o deserto do Namibe, apenas milhares de anos mais tarde, em plena proto-história, receberia povos mais organizados. Os primeiros a instalarem-se foram os boximanes – grandes caçadores, de estatura pigmóide e claros, de cor acastanhada. No início do século VI d.C., povos mais evoluídos, de cor negra, inseridos tecnologicamente na Idade dos Metais, empreenderam uma das maiores migrações da História. Eram os Bantu e vieram do norte, provavelmente da região da actual República dos Camarões. Esses povos, ao chegarem a Angola, encontraram os Bochmanes e outros grupos mais primitivos, impondo-lhes facilmente a sua tecnologia nos domínios da metalurgia, cerâmica e agricultura. A instalação dos Bantu decorreu ao longo de muitos séculos, gerando diversos grupos que viriam a estabilizar-se em etnias que perduram até aos dias de hoje.

Na Lunda, no Zaire e no Cuangar foram encontrados instrumentos de pedra e outros, dos homens do Paleolítico. No Deserto do Namibe foram encontradas gravuras rupestres nas rochas. Trata-se das gravuras do Chitundo-Hulu, atribuídas aos antepassados dos Koisan.

Nos primeiros quinhentos anos da era actual, as populações bantu da África Central, que já dominavam a siderurgia do ferro, iniciaram uma série de migrações para leste e para sul, a que se chamou a expansão bantu.
Partes destas populações fixaram-se a Norte e ao Sul da parte inferior do Rio Congo (ou Zaire), portanto também no Noroeste do território da actual Angola. Com o tempo, estas populações constituíram o povo Kongo, de língua Kikongo. Outras populações fixaram-se inicialmente na região dos Grandes Lagos Africanos e, no século XVII, deslocaram-se para oeste, atravessando o Alto Zambeze até ao Cunene: eram os grupos hoje designados como nganguela, mas também os Ovambo e os Xindonga.

No ano de 1568, entrava um novo grupo pelo norte, os jagas, que combateram os Bakongo que os empurraram para sul, para a região de Kassanje. No século XVI ou mesmo antes, os nhanecas (vanyaneka) entraram pelo sul de Angola, atravessaram o Cunene e instalaram-se no planalto da Huíla. No mesmo século XVI, um outro povo abandonava a sua terra na região dos Grandes Lagos, no centro de África, e veio também para as terras angolanas. Eram os hereros (ou ovahelelo), um povo de pastores. Os hereros entraram pelo extremo leste de Angola, atravessaram o planalto do Bié e depois se foram instalar entre o Deserto do Namibe e a Serra da Chela, no sudoeste angolano.

Também no século XVI os portugueses instalam-se na região e fundaram São Paulo da Assunção de Luanda, a actual cidade de Luanda.
Já no século XVIII, entraram os ovambos (ou ambós), grandes técnicos na arte de trabalhar o ferro, deixaram a sua região de origem no baixo Cubango e vieram estabelecer-se entre o alto Cubango e o Cunene. No mesmo século, os chôkwes abandonaram o Catanga e atravessaram o rio Cassai. Instalaram-se inicialmente na Lunda, no nordeste de Angola, migrando depois para sul.

Finalmente, já no século XIX apareceu o último povo que veio instalar-se em Angola: os cuangares (ou ovakwangali). Estes vieram do Orange, na África do Sul, em 1840, chefiados por Sebituane, e foram-se instalar primeiro no Alto Zambeze. Então se chamavam macocolos. Do Alto Zambeze alguns passaram para o Cuangar no extremo sudoeste angolano, onde estão hoje, entre os rios Cubango e Cuando.

As guerras entre estes povos eram frequentes. Os migrantes mais tardios eram obrigados a combater os que estavam estabelecidos para lhes conquistar terras. Para se defenderem, os povos construíam muralhas em volta das sanzalas. Por isso, há em Angola muitas ruínas de antigas muralhas de pedra. Essas muralhas são mais abundantes no planalto do Bié e no planalto da Huíla, onde se encontram, também, túmulos de pedra e galerias de exploração de minério, testemunhos de civilizações mais avançadas do que geralmente se supõe.

A CHEGADA DOS PORTUGUESES

Os portugueses, sob o comando de Diogo Cão, no reinado de Dom João II, chegam ao Zaire em 1482. É a partir daqui que se iniciará a conquista pelos portugueses desta região de África, incluindo Angola. O primeiro passo foi estabelecer uma aliança com o Reino do Congo, que dominava toda a região. A sul deste Reino existiam dois outros, o do Reino de Ndongo e o de Reino da Matamba, os quais não tardam a fundir-se, para dar origem ao Reino de Angola (cerca. 1559).

A COLÓNIA DE ANGOLA

A Colónia portuguesa de Angola formou- se em 1575 com a chegada de Paulo Dias de Novais com 100 famílias de colonos e 400 soldados. Paulo Dias de Novais foi o primeiro governador português a chegar a Angola, que tinha como principais acções explorar os recursos naturais e promover o tráfico negreiro (escravatura) formando um mercado extenso.A partir de 1764, de uma sociedade esclavagista, passou-se gradualmente a uma sociedade preocupada em produzir o que consumia. Em 1850, Luanda já era uma grande cidade, repleta de firmas comerciais e que exportava conjuntamente com Benguela, óleos de palma e amendoim, cera, goma copal, madeiras, marfim, algodão, café e cacau, entre outros produtos. Milho, tabaco, carne seca e farinha de mandioca começariam igualmente a ser produzidos localmente. Estava a nascer a burguesia angolana.

Entretanto, em 1836, o tráfico de escravos era abolido e em 1844, os portos de Angola seriam abertos aos navios estrangeiros. Com a conferência de Berlim, Portugal viu-se na obrigação de efectivar de imediato a ocupação territorial das suas Colónias.

A CONFERÊNCIA DE BERLIM DE 1885

A Conferência de Berlim, também conhecida como conferência da África Ocidental ou Conferência do Congo, realizou-se em Berlim, de 15 de Novembro de 1884 a 26 de Fevereiro de 1885, marcando a colaboração europeia na partição e divisão territorial da África.

Organizado pelo Chanceler do Império Alemão, Otto von Bismarck, o evento contou com a participação de países europeus (Alemanha, Império Austro-Húngaro, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Grã-Bretanha, Itália, Noruega, Países Baixos, Portugal, Rússia e Suécia), Império Otomano (actual Turquia) e dos Estados Unidos. O objectivo declarado era o de “regulamentar a liberdade do comércio nas bacias do Congo e do Níger, assim como novas ocupações de territórios sobre a costa ocidental da África”.

Uma conferência anterior (Conferência geográfica de Bruxelas, em 1876) iniciou o debate sobre a partição da região do Congo, que foi dividido em três partes: Congo-Léopoldville, que coube aos belgas, Congo-Brazzaville, atribuída aos franceses, e Angola, que historicamente já pertencia a Portugal. Todas essas regiões formavam o antigo Reino do Kongo. O principal resultado da conferência de Berlim foi o estabelecimento de regras oficiais de colonização mas, além disso, a conferência gerou uma onda de assinaturas de tratados entre os vários países europeus.

A Alemanha, país vencedor da guerra franco-prussiana, não possuía colónias em África, mas tinha esse desejo e viu-o satisfeito, passando a administrar o “Sudoeste Africano” (actual Namíbia), Tanganica, Camarões e Togolândia; os Estados Unidos na altura não tinham mais a colónia da Libéria, independente desde 1847, mas, como potência em ascensão, foram convidados; o Império Otomano possuía províncias na África, notadamente o Egipto (incluindo o futuro Sudão Anglo- Egípcio) e Trípoli, mas seus domínios foram vastamente desconsiderados no curso das negociações e foram arrebatados de seu controle até 1914.

Durante a conferência, Portugal apresentou um projecto, o famoso “mapa cor-de-rosa“, que consistia em ligar Angola a Moçambique, criando uma comunicação entre as duas colónias, de modo a facilitar o comércio e o transporte de mercadorias.

Sucedeu que, apesar de todos concordarem com o projecto, mais tarde a Inglaterra à margem do Tratado de Windsor, surpreendentemente recusou o projecto, dando um ultimato a Portugal, ameaçando declarar-lhe guerra se a proposta não fosse retirada.

Portugal, com receio de colocar em causa o tratado de amizade e cooperação militar mais antigo do mundo, cedeu às pretensões ingleses, retirando o projecto do Mapa cor-de-rosa. Como resultado da conferência, a Grã-Bretanha passou a administrar toda a África Austral (com excepção das colónias portuguesas de Angola e Moçambique) e o Sudoeste Africano, toda a África Oriental (com excepção da Tanganica) e partilhou a costa ocidental e o norte da África com a França, a Espanha e Portugal (Guiné-Bissau e Cabo Verde); o Congo – que estava no centro da disputa, o próprio nome da Conferência em alemão é “Conferência do Congo” – continuou como”propriedade” da Associação Internacional do Congo, cujo principal accionista era o Rei Leopoldo II da Bélgica; este país passou ainda a administrar os pequenos reinos das montanhas a leste, o Ruanda e o Burundi.

TRATADO DE SIMULAMBUCO

O território de Cabinda, a norte do rio Zaire, seria também conferido a Portugal, graças à legitimidade do Tratado de Protectorato de Simulambuco, assinado entre os Reis de Portugal e os Príncipes de Cabinda, em 1885.

FASE DA PENETRAÇÃO E OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO ANGOLANO

Depois de uma implantação morosa e complicada, o final do século XIX marcaria a organização de uma administração colonial directamente relacionada com o território e os povos a governar. Na economia, a estratégia colonial assentava na agricultura e na exportação de matérias-primas. O comércio da borracha e do marfim, acrescido pela receita dos impostos tomados às populações, gerava grandes rendimentos para Lisboa.

Explorando as rivalidades e conflitos entre estes reinos, na segunda metade do século XVI os portugueses instalam-se na região de Angola.

O primeiro governador de Angola, Paulo Dias de Novais, procura delimitar este vasto território e explorar os seus recursos naturais, em particular os escravos. A penetração para o interior é muito limitada.

Em 1576 fundam São Paulo da Assunção de Luanda, a actual cidade de Luanda. Angola transforma-se rapidamente no principal mercado abastecedor de escravos para as plantações da cana-de-açúcar do Brasil.Durante a ocupação Filipina ( Filipe Rei de Espanha) de Portugal (1580-1640), os holandeses procuram desapossar os portugueses desta região, ocupando grande parte do litoral (Benguela, Santo António do Zaire, as barras do Bengo e do Kwanza).

Em 1648 tropas portuguesas (luso-brasileiras) expulsam os holandeses, possibilitando o reatamento das linhas de comércio (essencialmente tráfego de escravos) de Salvador e Rio de Janeiro com Luanda.

Até finais do século XVIII, Angola funciona como um reservatório de escravos para as plantações e minas do Brasil ou de outras colónias portuguesas do continente americano. A ocupação dos portugueses aposta nas fortalezas e feitorias estabelecidas na costa.

A colonização efectiva do interior só se inicia no século XIX, após a independência do Brasil (1822) e o fim do tráfico de escravos (1836-42), mas não da escravatura. Esta ocupação do interior tinha o carácter de uma resposta às pretensões de outras potências europeias, como a Inglaterra, a Alemanha e a França, que reclamavam na altura o seu quinhão em África. Diversos tratados são firmados estabelecendo os territórios que a cada uma cabem, de acordo com o seu poder e habilidade negocial.

Em 1823, em Benguela, surgiu a Confederação Brasílica, um movimento com a finalidade de juntar Angola ao recém- independente Brasil. Esse movimento foi formado por colonos e soldados de Benguela que em boa parte provinham do Brasil. O governo da colónia em Luanda chamou reforços e esmagou esta revolta.

Uma boa parte desses colonos são presos deportados de Portugal, como o célebre Zé do Telhado. Paralelamente são feitas diversas viagens com objectivos políticos e científicos para o interior do território angolano, tais como: José Rodrigues Graça (1843-1848) – Malanje e Bié; José Brochado – Huambo, Mulando, Cuanhama; Silva Porto – Bié.

Devido à ausência de vias de comunicação terrestres, as campanhas de ocupação do interior são feitas através dos cursos fluviais: bacia do Cuango (1862), bacia do Cuanza (1895, 1905 e 1908); bacia do Cubango (1886-1889, 1902 e 1906); bacia do Cunene (1906-1907, 1914-1917); bacia do Zambeze (1895-1896); entre Zeusa e Dande (1872-1907), etc.

Algumas campanhas militares transformaram-se em grandes exercícios bélicos que marcaram a mudança nos rumos do colonialismo lusitano, como foi o caso da Segunda Guerra Luso-Ovimbundo. Este foi um conflito armado entre os reinos dos povos ovimbundos, principalmente na figura dos reinos Bailundo, Huambo e Bié, contra o Império Português, motivado pela ambição colonial pelo controle das rotas comerciais e pelo súbito declínio do preço da borracha de raiz. Portugal venceu e subjugou os povos do planalto central, restando somente um último grande bastião de resistência no reino Cuanhama, que foi subjugado na Campanha de Cubango-Cunene.

As fronteiras de Angola começam a ser definidas em finais do século XIX e concluem-se pouco antes da década de 1920, sendo a sua extensão muitíssimo maior do que a do território dos ambundos, a cuja língua o termo Angola anda associado.

1900-1960

A colonização de Angola, após a implantação de um regime republicano em Portugal (1910), entra numa nova fase. Os republicanos haviam criticado duramente os governos monárquicos por terem abandonado as colónias. O aspecto mais relevante da sua acção circunscreveu-se à criação de escolas. No plano económico, desde muito tempo era legal 1916 na região de Luanda.

O desenvolvimento económico só se inicia de forma sistemática, em finais da década de 1930, quando se incrementa a produção de café, sisal, cana do açúcar, milho e outros produtos. Trata-se de produtos destinados à exportação.

A exportação da cana do açúcar, em 1914, pouco ultrapassava as 6 milhões de toneladas.

Em 1940 atingia já 4 mil milhões de toneladas exportadas. As fazendas e a indústria concentraram-se à volta das cidades de Luena e de Benguela.

A exportação de sisal desenvolve-se durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Em 1920, foram exportadas pouco mais que 62 toneladas, mas em 1941 atingiam-se já as 3.888.

Dois anos depois, 12.731 toneladas. Em 1973 situavam-se nas 53.499. Estas plantações situavam-se no planalto do Huambo, do Cubal para Leste, nas margens da linha férrea do Dilolo, Bocoio, Bailumbo, Luimbale, Lepi, Sambo, mas também no Cuinha do norte e Malange.

Abre-se um novo ciclo económico em Angola, que se prolonga até 1972, quando a exploração petrolífera em Cabinda começar a dar os seus resultados. A subida da cotação do café no mercado mundial, a partir de 1950, contribuiu decisivamente para o aumento vertiginoso desta produção.

Em 1900, as exportações pouco ultrapassaram as 5.800 milhões de toneladas. Em 1930 atingiam as 14.851.Em 1943 subiam para 18.838. A partir daqui o crescimento foi vertiginoso.
Em 1968 forma exportadas 182.954 e quatro anos depois, 218.681 toneladas.
Para além destes produtos, desenvolve-se a exploração dos minérios de ferro.
Em 1957 funda-se a Companhia Mineira do Lobito, que explorava as minas da Jamba, Cassinga e Chamutete. Exploração que cedeu depois à Brasileira Krupp.

O desenvolvimento destas explorações, foi acompanhado por vagas de imigrantes incentivados e apoiados muitas vezes pelo próprio Estado.
Entre 1941 e 1950, saíram de Portugal cerca de 110 mil imigrantes com destino às colónias, a maioria fixou-se em Angola. O fluxo imigratório prosseguiu nos anos 1950 e 60.

Na década de 1950, a questão da descolonização das colónias africanas emerge no plano internacional e torna-se uma questão incontornável. Em 1956 é publicado o primeiro manifesto do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

O fim da monarquia em Portugal em 1910 e uma conjuntura internacional favorável levariam as novas reformas ao domínio administrativo, agrário e educativo. No plano económico, inicia-se a exploração intensiva de diamantes.

A DIAMANG (Companhia de Diamantes de Angola) é fundada em 1921, embora operasse desde 1916 na região de Luanda. Com o Estado que se pretende extensivo à Colónia, Angola passa a ser mais uma das províncias de Portugal (Província Ultramarina). A situação vigente, era aparentemente tranquila.

No segundo cartel do século XX, esta tranquilidade seria posta em causa com o aparecimento dos primeiros movimentos nacionalistas. Inicia-se a formação de organizações políticas mais explícitas a partir da década de 50 que, de uma forma organizada iam fazendo ouvir os seus gritos. Promovem campanhas diplomáticas no mundo inteiro, pugnando pela independência.

DESOBEDIÊNCIA CIVIL

O Acto Colonial de 8 de Julho de 1930, estabeleceu a supremacia dos portugueses sobre a população indígena. Embora os nativos pudessem estudar até a um nível universitário, na prática, a situação era de profunda clivagem cultural e social entre a população local e os portugueses que viviam no litoral de Angola.

Em 1948, Viriato Clemente da Cruz, e outros membros, criaram o Movimento dos Novos Intelectuais de Angola, uma organização que promovia a cultura angolana. Os nacionalistas enviaram uma carta às Nações Unidas (NU) solicitando que fosse atribuído o estatuto de protectorado a Angola sob supervisão das NU.

No início da década de 1950, é criado o Clube dos Marítimos Africanos, cujos membros, por serem marinheiros, faziam a ligação entre Lisboa e Luanda das informações sobre o regime português, em particular da repressão exercida nas colónias.

ESTATUTO DE INDÍGENAS

Em 1954, o governo português cria o Estatuto do Indígena. Esta lei dividia a população entre em dois grupos: os “civilizados”, vulgo cidadãos, e os “indígenas” que não possuíam ainda a instrução e os hábitos individuais e sociais pressupostos para a aplicação integral do direito público e privado dos cidadãos portugueses.

Desta forma, os africanos das províncias ultramarinas não possuíam direitos políticos, não podiam formar partidos nem sindicatos; podiam estabelecer associações de carácter cultural, porém sempre sob a supervisão da PIDE.

Por outro lado, o estatuto permitia que os jovens africanos viajassem para Portugal para estudar nas universidades, destacando- se os casos de Mário Pinto de Andrade e de seu irmão Joaquim, que ingressaram da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; Agostinho Neto, que estudou Medicina em Coimbra e Lisboa; e Jonas Savimbi, que frequentou o liceu em Lisboa.

Esta dupla situação, forçou a que muitos cidadãos angolanos e moçambicanos se organizassem na clandestinidade e definissem
a luta armada como meio de atingir a independência.

Em Portugal, os estudantes das colónias criam a associação Casa dos Estudantes do Império, em 1943, passando à tutela do governo em 1944. O objectivo era formar elites a partir de naturais das províncias ultramarinas.

O fim do Estatuto do Indígena data de 1961, ano em que Adriano Moreira, ministro do Ultramar, o revoga. Com o fim do Estatuto, passa a ser possível aos angolanos “indígenas” terem cidadania portuguesa, sem qualquer tipo de discriminação; e a puderem ser integrados no sistema educacional nacional.

1961-1974 INDEPENDÊNCIAS AFRICANAS

A Independência do Congo Belga, em 1960, teve uma grande influência no despoletar dos acontecimentos que marcaram o início da actuação dos movimentos independentistas em Angola. Este acontecimento acelerou o ressurgimento de grupos políticos angolanos.

INÍCIO DA LUTA ARMADA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL

A data de início do conflito, data de 04 de Janeiro de 1961, com a Revolta da Baixa do Cassange (Malange), onde se dá um levantamento popular dos milhares de trabalhadores dos campos de algodão da companhia Luso-Belga Cotonang, prontamente reprimida pelo exército português que até napalm utilizou contra camponeses indefesos. A Revolta da Baixa de Cassange despertou consciência patriótica dos angolanos.

A Guerra de Independência de Angola, também conhecida como Luta Armada de Libertação Nacional, foi um conflito armado entre as forças independentistas de Angola, MPLA, UPA/FNLA e, a partir de 1966, a UNITA, contra o Exército Português.

O MPLA, iniciou a luta armada de libertação Nacional aos 04 de Fevereiro de 1961, quando um grupo de cerca de 200 angolanos, empunhando catana, canhangulos e outros artefactos atacou a Casa de Reclusão Militar, em Luanda, a Cadeia da 7.a Esquadra da polícia, a sede dos CTT e a Emissora Nacional de Angola, causando muitas baixas as tropas portuguesas no terreno.

A FNLA, iniciou aos 15 de Março do mesmo ano, no norte atacando postos administrativos e fazendas agrícolas protegidas por milicianos portugueses, causando grandes baixas e horrorizado os seus componentes.
Em Nambuangongo, UPA/FNLA proclamou a “capital do Estado livre“, após ter sido abandonada pelos europeus.

Do ponto de vista militar, as tropas portuguesas tiveram que enfrentar uma guerra de guerrilha não-convencional, para a qual não estavam preparadas nem motivadas. O esforço de guerra recaiu sobre o Exército, dadas as características do conflito.

Em Portugal, a guerra colonial era há muito tempo contestada: a população via os seus familiares a morrer ou a ficarem deficientes; o país via os seus recursos financeiros a esgotarem-se, a produção a decair e a inflação a subir; e surgiam vozes discordantes do regime, desde a esquerda à direita, passando pela igreja católica, pelos movimentos estudantis e pelas associações sindicais.

Aliada a esta contestação social, e a uma pressão internacional sobre a condução da Guerra Colonial Portuguesa, foi crescendo a influência comunista sobre os militares portugueses, culminando com um golpe de Estado militar em Portugal, através da Revolução dos Cravos, a 25 de Abril de 1974.

A guerra de libertação nacional prolongou-se por 14 anos, terminando com um cessar-fogo em Junho (com a UNITA) e Outubro (com a FNLA e o MPLA no Luena) de 1974.

O governo de Portugal (uma ditadura desde 1926), recusou-se a dialogar e prosseguiu na defesa até ao limite do último grande império colonial europeu.

Para África foram mobilizados centenas de milhares de soldados. Enquanto durou o conflito armado, Portugal procurou consolidar a sua presença em Angola, promovendo a realização de importantes obras públicas.

A produção industrial e agrícola conheceu neste território um desenvolvimento impressionante. A exploração do petróleo de Cabinda iniciou-se em 1968, representando em 1973 cerca de 30% das receitas das exportações desta colónia.

Entre 1960 e 1973 a taxa de crescimento do PIB (produto Interno Bruto) de Angola foi de 7% ao ano.

O Poder Colonial, não cederia, no entanto, às propostas das forças nacionalistas, provocando o desencadear de conflitos armados directos, a “Luta Armada”. Destacaram-se na “Luta”, o MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola) fundado em 1956 em Conakry, República da Guiné, a FNLA (Frente Nacional para a Libertação de Angola) que se revelou em 1961 e a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola) que foi fundada em 1966.

O ESTADO DE ANGOLA

Fruto da grande pressão exercida pelos Movimentos de Libertação Nacional, do isolamento internacional, em 1970, Angola deixa de ser Província Ultramarina e passa a ter o estatuto de Estado de Angola, com moeda própria, o Escudo de Angola e Banco próprio, o Banco de Angola.

INDEPENDÊNCIA NACIONAL

Na sequência do derrube da ditadura em Portugal (25 de Abril de 1974), abriram-se perspectivas imediatas para a independência de Angola. O novo governo revolucionário português abriu negociações com os três principais movimentos de libertação (MPLA – Movimento Popular de Libertação de Angola, FNLA – Frente Nacional de Libertação de Angola e UNITA – União Nacional para a Independência Total de Angola), o período de transição e o processo de implantação de um regime democrático em Angola (Acordos de Alvor, Janeiro de 1975).

INVASÃO DO PAÍS POR EXÉRCITOS ESTRANGEIROS

ELP
O Exército de Libertação de Portugal (ELP) foi uma organização terrorista de extrema-direita criada por Agostinho Barbieri Cardoso (ex-subdiretor-geral da PIDE/Direcção-Geral de Segurança em 6 de Janeiro de 1975.

Fundada e sediada em Madrid, Espanha e a sua ideologia era Anti-comunismo, o Salazarismo e o Nacionalismo do Estado Novo derrubado pela Revolução dos Cravos em 25 de Abril de 1974.

O principal objectivo do ELP era lutar contra os movimentos da esquerda política do pós-25 de Abril de 1974, nomeadamente o COPCON (Comando Operacional do Continente) e a LUAR (Liga de Unidade e Acção Revolucionária).

O ELP, foi o primeiro Exército estrangeiro a invadir Angola através das Províncias do Namibe, Cunene e Kuando Kubango em Abril de 1975 e era composto por elementos fascistas e dissidentes do Exército Português e mercenários de países Ocidentais, Africanos e Sul-Africanos, misturando-se posteriormente com as Forças do Apartheid.

O objectivo fundamental desse Exército era criar um Estado tampão denominado “Estado do Caprivi” entre Angola e a Namíbia

EXÉRCITO ZAIRENSE

O Sr. Presidente Mubuto Sese Seko Kuku Wendu Wa Za Bangá, aliado ocidental , destacou Março de 1975, a elite do seu Exército Nacional, enviando para Angola em apoio da FNLA, o 3o, 4.o, 5o, 6o e 7o Batalhões armados com blindados e canhões de longo alcance com o único objectivo de tomar Luanda e impedir a proclamação da Independência Nacional.

EXÉRCITO DA ÁFRICA DO SUL DO APARTHEID

OPERAÇÃO SAVANA
Com a assistência secreta dos Estados Unidos através da Agência Central de Inteligência (CIA), os sul-africanos optaram por auxiliar militarmente a UNITA e a FNLA, numa tentativa de garantir um governo pró-África do Sul em Luanda.

Assim em 14 de Julho de 1975, o Primeiro-Ministro da África do Sul, Jonh Balthazar Vorster, aprovou secretamente a venda  de armas para a FNLA e a UNITA no valor de 14 milhões de dólares, dos quais os primeiros embarques chegaram à Angola em Agosto de 1975.

A Operação Savana iniciou-se informalmente em 09 de Agosto de 1975, quando uma Unidade de Elite das SADF composta de 3.000 homens deslocou-se para uma área a 50 Kms no interior de Angola, lançando um ataque de que resultou na ocupação do complexo hidroelétrico Ruacana-Calueque, além de outras instalações no rio Cunene. A operação savana foi um autêntico fracasso.

Em 22 de Agosto de 1975, a SADF iniciou a “Operação Balão de Observação II” (ou Sausage II), um grande ataque contra as FAPLA no sul de Angola. Após essa operação, em 4 de Setembro de 1975, o Primeiro-Ministro Balthazar Johannes Vorster autorizou que a UNITA e a FNLA recebessem formação militar, assessoria e assistência logística, enquanto ajudassem os sul- africanos a combater supostamente a SWAPO.

A SADF estabeleceu um campo de treino perto da Cidade do Cuíto (a época com o nome de Silva Porto) e preparou defesas no Huambo (ainda com o nome Nova Lisboa). Eles montaram a unidade de ataque móvel “Morcego-Raposa” para repelir a aproximação das unidades das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), com as quais entraram em conflito em 5 de Outubro, garantindo assim Huambo para a UPA/FNLA e UNITA.

Em 14 de Outubro de 1975, os sul-africanos iniciaram oficialmente a Operação Savana (pois informalmente desde Agosto já estavam ocupando territórios ao sul de Angola), quando a Força Operacional Zulu cruzou da Namíbia para o Cuando Cubango.

De acordo com John Stockwell, um ex-agente da CIA, no se livro denominado a CIA CONTRA ANGOLA, “houve uma estreita ligação entre a CIA, dentre eles o próprio Vernon Walters, sub-director e os sul africanos” e “‘altos funcionários’ em Pretória afirmaram que a intervenção em Angola tinha sido levada a cabo após um acordo de ‘cooperação’ com os Estados Unidos”. A intervenção também foi apoiada pelo Zaire e Zâmbia.

OPERAÇÃO CARLOTA

” CARLOTA ” foi uma guerrilheira angolana que morreu em combate no Balombo, Província de Benguela, em Outubro de 1975. Em Setembro de 1975, durante o debate geral da Assembleia Geral das Nações Unidas, o Comandante Fidel de Castro Ruz, anunciou a todo o mundo que enviaria Unidades Especiais de combate para defender Angola do jugo imperialista e capitalista ocidental.

A Operação Carlota iniciou-se com o envio de um batalhão reforçado de tropas especiais, composto por 650 homens. Foram transportados por avião em voos sucessivos durante 13 dias, desde a secção militar do aeroporto José Martí em Havana, até ao aeroporto de Luanda.

O que era para ser apenas uma intervenção de ajuda ao Governo Angolano para expulsar do território angolano as SADF, tropas da África do Sul, do Zaire, da UNITA e da FNLA, transformou-se numa intervenção de larga escala que duraria dezasseis anos, até a assinatura dos Acordos de Nova Yorque que culminou com Independência da Namíbia.

A BATALHA DE KIFANGONDO

A batalha de Quifangondo foi uma batalha travada entre as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) e a FNLA com o apoio dos exércitos zairense de Mobuto Sese Seko, da África do Sul racista e mercenários de países ocidentais. A batalha iniciou-se em 10 de Novembro de 1975 e foi determinante para a independência de Angola.

Com o aproximar da data da independência, a Província de Luanda e a capital Luanda, controladas pelas Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), torna-se num objectivo político e militar fundamental para a proclamação do nascimento da nova nação.

A FNLA conjuntamente com o exército zairense, da África do Sul racista e mercenários de países ocidentais fez um esforço em direcção à capital para se apoderar da cidade e aí realizar a sua proclamação, após desalojar as Gloriosas FAPLA.

A coluna invasora, vinda do Norte, chegou nas cercanias da Vila Kifangondo, cerca 20 Kms de Luanda, enquanto as FAPLA já se haviam estabelecido em posições defensivas em Kifangondo.

Não conseguindo romper estas e faltando poucas horas para que o MPLA proclamasse a independência, do lado da FNLA intensificaram-se os bombardeamentos sobre Luanda como último recurso, sem sucesso. Nos dias seguintes, a FNLA e o exército zairense e seus pares acabaram por ter de recuar para o Norte de Angola.

As FAPLA responderam com salvas de artilharia de 122mm dos Famosos BM21 de oitenta canos, vulgo “Mona Caxito”, que pôs em debandada as forças do Exército Zairense coligadas às da FNLA e mercenários ocidentais, naquilo que ficou conhecida como a “ESTRADA DA MORTE PARA LUANDA”.

A batalha de Kifangondo, foi determinante para a afirmação da supremacia do MPLA entre os três movimentos nacionalistas angolanos na fase inicial da independência de Angola, segundo o Sr. General N’Dalu, então Comandante das FAPLA que defendeu Kifangondo.

Um ano mais tarde, as FAPLA subiram até o Norte e empurraram a FNLA para dentro do actual território da República Democrática do Congo.

A BATALHA DO EBO

A Batalha do Ebo, era parte da Operação Savana das SADF, iniciada 09 de Agosto de 1975 cujo objectivo principal consistia em desalojar as Unidades das FAPLA que impediam o seu avanço para Luanda, não tendo os mesmos atingido os seus propósitos.

DATA PROCLAMAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA NACIONAL

A data da Independência Nacional de Angola foi estabelecida a 15 de Janeiro de 1975, com a assinatura do Acordo do Alvor entre os quatro intervenientes no conflito: Governo Português, MPLA, FNLA e UNITA.
A independência e a passagem de soberania ficaram marcadas para o dia 11 de Novembro desse ano.

PROCLAMAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA NACIONAL

«Em nome do Povo Angolano, o Comité Central do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), proclama solenemente perante a África e o Mundo a Independência de Angola» Foi com estas palavras que, a 11 de Novembro de 1975, o Sr. Dr. Agostinho Neto, Presidente do Movimento Popular de  Libertação de Angola (MPLA) e posteriormente primeiro Presidente de Angola, «correspondendo aos anseios mais sentidos do Povo» (NETO 1975), declarou a independência de Angola, constituindo e oficializando igualmente o nascimento da «República Popular de Angola»

A proclamação da RPA teve lugar na actual Praça da Independência às 00h00 do dia 11 de Novembro de 1975, pelo Presidente do MPLA. Angola tornava-se, assim, país independente. O Presidente Agostinho Neto, relativamente a Portugal, afirmou que a luta do movimento que liderava não era contra os Portugueses: “Pelo contrário, a partir de agora, poderemos cimentar ligações fraternas entre os dois povos.”

Agostinho Neto, com 53 anos de idade, foi investido no cargo de Presidente da República Popular de Angola no dia 12 de Novembro de 1975, quando era cerca de meio-dia, numa cerimónia que teve lugar na Câmara Municipal de Luanda (actual Governo da Província de Luanda).

A declaração do gabinete político do MPLA foi lida pelo Sr. Lúcio Lara. O hino nacional, a bandeira e a insígnia da RPA foram aprovados juntamente com a Lei da Nacionalidade em 1975. O texto do hino nacional, “Angola, Avante!”, foi elaborado por Manuel Rui Monteiro, jurista e escritor, e musicado por Rui Mingas, que veio a ser embaixador de Angola em Lisboa. A banda que interpretou o hino nacional foi ensaiada por Fernando Costa Andrade e Carlos Lamartine.

Das propostas apresentadas para a bandeira nacional, foi escolhida e aprovada a proposta da autoria de Henrique Santos, com as cores preta e vermelha e, ao centro, uma roda dentada, uma catana e uma estrela de cor amarela.

“REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE ANGOLA”

No entanto, no mesmo dia na Cidade do Huambo, a UPA/FNLA e a UNITA, com apoio da SADF, proclamaram também a independência da” efémera República Democrática de Angola”, reconhecida imediatamente pela racista África do Sul.

No dia 11 de Novembro de 1975, no Huambo, estiveram a representar a UNITA, no acto da proclamação da República Democrática de Angola, José Ndele, Jerónimo Wanga e Nzau Puna; encontravam-se também representantes do Zaire e um general sul-africano. Aliás, a República Democrática de Angola foi celebrada no Huambo e no Ambriz pela coligação UNITA/FNLA.

A independência de Angola não foi o início da paz, mas o início de uma nova guerra aberta. Muito antes do Dia da Independência, a 11 de Novembro de 1975, já os três grupos nacionalistas que tinham combatido o colonialismo português lutavam entre si pelo controle do país, e em particular da capital, Luanda. Cada um deles era na altura apoiado por potências estrangeiras, dando ao conflito uma dimensão internacional.

A União Soviética e principalmente Cuba apoiavam o MPLA, que controlava a cidade de Luanda e algumas outras regiões da costa, nomeadamente o Lobito e Benguela. Os cubanos não tardaram a desembarcar em Angola (5 de Outubro de 1975). A África do Sul apoiava a UNITA e invadiu Angola (9 de Agosto de 1975).

O Zaire, que apoiava a FNLA, invadiu também este país, em Julho de 1975. A FNLA contava também com o apoio da China, mercenários portugueses e ingleses mas também com o apoio da África do Sul.

Os EUA, que apoiaram inicialmente apenas a FNLA, não tardaram a ajudar também a UNITA. Neste caso, o apoio manteve- se até 1993. A sua estratégia foi durante muito tempo dividir Angola.

RECONHECIMENTO INTERNACIONAL
BRASIL, PRIMEIRO PAÍS DO MUNDO A RECONHECER A INDEPENDÊNCIA NACIONAL

A decisão de reconhecer como legítimo o Governo do Presidente António Agostinho Neto, foi tomada pelo Presidente General Ernesto Geisel ainda em 6 de Novembro, antes da data oficial de Independência de Angola.

O Brasil rapidamente estabeleceu relações diplomáticas com a nova República que se instalara. Fez isso antes mesmo de qualquer país do bloco socialista. Nenhum país ocidental ou mesmo africano seguiu o seu exemplo. OUA e ONU

A 11 de Fevereiro de 1976, a OUA então presidida pelo Presidente Idi Amin Dada do Uganda, reconheceu o MPLA como legítimo Governo de Angola, aceitando-o como o 47 º. membro da organização. Nesse mesmo ano, após um veto por parte dos EUA, a Assembleia Geral das Nações Unidas, admitiu Angola como membro 146, em 01 de Dezembro de 1976.

O Sr. Presidente da Guiné, Sékou Touré, na reunião de 10 de Janeiro de 1976 em Adis Abeba, ameaçou abandonar aquela organização africana se não fosse reconhecida a RPA.

No meio do caos que Angola se havia tornado, cerca de 800 mil portugueses abandonaram este país entre 1974 e 1976, o que agravou de forma dramática a situação económica.

OUTROS PAÍSES A RECONHECEREM

Os primeiros países que reconheceram o Estado Angolano foram Brasil, Bulgária, Cabo Verde, Checoslováquia,Cuba, Etiópia, Guiné-Conakry, Ilhas Maurícias, Mali, Mongólia, Polónia, República Democrática Alemã, Roménia, República Popular do Congo, São Tomé e Príncipe, Síria, Somália, União Soviética e Vietname; Outros países que hesitaram em reconhecer são: Canadá, China, Burundi, Gabão, Gana, Índia, Quénia, Madagáscar, Níger, Tunísia e Zâmbia.

O anúncio do reconhecimento pelo Estado português foi feito por Melo Antunes, do MFA, em Fevereiro de 1976, tornando- se o 82.o Estado a fazê-lo.

Entretanto, a RPA foi também reconhecida pelo México, Peru e Koweit. Robert Muldoon, Primeiro-Ministro da Nova Zelândia (1975-1984), reconheceu o Estado Angolano como legítimo representante do Povo Angolano.

O partido trabalhista holandês pronunciou-se, em Janeiro de 1976, pelo reconhecimento imediato, por parte da Holanda, colocando à disposição dez mil florins do Fundo Internacional de Solidariedade, tornando-se, assim, no primeiro partido social-democrata europeu a fazê-lo, considerando o MPLA competente para garantir o desenvolvimento da sociedade, uma independência política e a descolonização final de Angola, ao contrário da FNLA e da UNITA.

TENTATIVA DE GOLPE DE ESTADO

A 27 de Maio de 1977, um grupo sessionista do MPLA encabeçado por Nito Alves e Cita Vales e José Van-Dunem, desencadeou uma tentativa de golpe de Estado que ficou conhecido como Fraccionismo, terminando num banho de sangue que se prolongou por dois anos. Em Dezembro, no rescaldo da tentativa do golpe de estado, o MPLA realizou o seu 1º Congresso, onde se proclamou como sendo um partido Marxista-Leninista, adoptando o nome de MPLA-Partido do Trabalho.

A GUERRA CIVIL

A guerra continuava a alastrar por todo o território. A UNITA e a FNLA juntaram-se então contra o Governo Angolano. A UNITA começou por ser expulsa do seu quartel-general no Huambo, sendo as suas forças dispersas e impelidas para o mato. Mais tarde, porém, reagrupou-se, iniciando uma guerra longa e devastadora contra o Governo Angolano.

A UNITA apresentava-se como sendo anti-marxista e pró-ocidental, mas tinha também raízes regionais, principalmente na população Ovimbundu do sul e centro de Angola.

FALECIMENTO DO PRESIDENTE AGOSTINHO NETO

Em 10 de Setembro de 1979, o Presidente da República Dr António Agostinho Neto, falece em Moscovo vítima de doença sucedendo-lhe no cargo o Ministro da Planificação, o Sr. Engenheiro José Eduardo dos Santos.

PAÍSES SOCIALISTAS
A RPA beneficiou com o alargamento das bolsas de estudo do Conselho de Ajuda Mútua Económica (CAME) ao ensino médio especializado e superior, medida aprovada na sessão realizada em Julho de 1976, bem como no campo da saúde, o quepermitiu o envio de médicos e enfermeiros dos países socialistas, mediante acordos bilaterais ou multilaterais com o Estado angolano.

Foi admitido como membro do CAME em Junho de 1978, após ter levado a cabo a sua política de nacionalizações. Com a ajuda daquele organismo, foram construídos silos nos portos de Luanda e de Moçâmedes (actual Namibe) e restaurados silos do porto do Lobito; foram projectados e criados centros de ensino.

PAÍSES OCIDENTAIS

A relação comercial, económica e empresarial com os países ocidentais não foi posta de lado pela RPA, por o país necessitar de tecnologia avançada no sector do petróleo e dos diamantes. Entretanto, a visita a Luanda do então Ministro francês dos Negócios Estrangeiros, François Poncet, em 1981, foi o primeiro passo para o incremento das relações bilaterais entre os dois países.

Em 1977, a RPA assinou o Memorando de Intenções com a Itália, o que permitiu a cooperação entre os dois países. Dois anos depois, foi assinado um acordo de cooperação bilateral. Em Julho de 1982, Emílio Colombo, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Itália, visitou Luanda, para reforçar a cooperação económica, depois de o Ministro das Relações Exteriores de Angola, Paulo Jorge, ter visitado a Itália, em 1981. Esta visita permitiu ao país receber de Itália ajuda alimentar de emergência, num total de 24 toneladas de produtos liofilizados.

NORMALIZAÇÃO DAS RELAÇÕES COM O ZAIRE

Por iniciativa do Estado Angolano, teve lugar o encontro de Brazzaville entre o Presidente Dr. António Agostinho Neto e o seu homólogo Mobutu Sese Seko, em Fevereiro de 1976, de que resultou um comunicado em que se declarava a intenção de normalizar as relações entre os dois países, evitando as tensões existentes.

ATAQUES DA ÁFRICA DO SUL RACISTA

No início da década de 1980, o número de mortos e refugiados não parou de aumentar. As infraestruturas do país eram consecutivamente destruídas. Os ataques da África do Sul não paravam. Em Agosto de 1981, lançaram a operação “Smokeshell” utilizando 15.000 soldados, blindados e aviões, avançando mais de 200 km na Província do Cunene (sul de Angola). O governo da África do Sul justificou a sua acção afirmando que na região estavam instaladas bases dos guerrilheiros da SWAPO, o movimento de libertação da Namíbia.

Na realidade tratava-se de uma acção de apoio à UNITA, tendo em vista a criação de uma “zona libertada” sob a sua administração. Estes conflitos só terminaram em Dezembro de 1988, quando em Nova Iorque foi assinado um acordo tripartido (Angola, África do Sul e Cuba) que estabelecia a Independência da Namíbia e a retirada dos cubanos de Angola.

AS BATALHAS DO CUITO CUANAVALE

A Batalha de Cuíto Cuanavale foi o maior confronto militar da Guerra Civil Angolana, ocorrido entre 15 de Novembro de 1987 e 23 de Março de 1988, considerada pelos estrategas militares ocidentais, como os maiores duelos de artilharia jamais realizada a sul do Sahara desde a II Guerra Mundial.

O local da batalha foi o sul de Angola, na região do Cuíto Cuanavale, Província de Cuando-Cubango, onde se confrontaram os exércitos de Angola (FAPLA) e Cuba (FAR) contra a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola) e o exército sul-africano (SDF). Foi a batalha mais prolongada que teve lugar no continente africano desde a Segunda Guerra Mundial.

Seguindo uma série de tentativas de dominar a região em 1986, oito brigadas da FAPLA realizaram uma ofensiva, conhecida como “Operação Saludando Octubre” em Agosto de 1987 contra as bases da UNITA na Jamba e Mavinga, contando com apoio de armas e tanques T-62 soviéticos, bem como unidades motorizadas cubanas. A África do Sul, que fazia fronteira com Angola por meio do território em disputa da actual Namíbia, estava determinada em prevenir que a FAPLA ganhasse controlo da região e permitisse que a Organização do Povo do Sudoeste Africano actuasse no local, o que colocaria o regime do Apartheid em cheque.

A retumbante Vitória das FAPLA diante do todo poderoso Exército Sul-Africano em coligação com as forças combinadas da UNITA e mercenários ocidentais, tornou-se no ponto de viragem decisivo na guerra que se arrastava há longos anos, incentivando um acordo entre Angola, África do Sul e Cuba para a retirada de todas as tropas estrangeiras e a assinatura dos Acordos de Nova Iorque, que deram origem à implementação da resolução 435/78 do Conselho de Segurança da ONU, levando à independência da Namíbia e ao fim do regime de segregação racial, que vigorava na África do Sul.

OUTROS ACORDOS DE PAZ

A partir de 1989, foram assinados vários acordos de paz entre o Governo Angolano e a UNITA, seguidos do recomeço das hostilidades.
Em Junho de 1989, em Gbadolite (Zaire), a UNITA e o MPLA estabeleceram uma nova trégua. A paz apenas durou dois meses.

Em fins de Abril de 1990, o governo de Angola anunciou o reinício das conversações directas com a UNITA, com vista ao estabelecimento do cessar-fogo. No mês seguinte, a UNITA reconhecia oficialmente o Sr. Eng. José Eduardo dos Santos como o Presidente da República de Angola. O desmoronar da União Soviética acelerou o processo de democratização. No final do ano, o MPLA anunciava a introdução de reformas democráticas no País.

IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA MULTI-PARTIDÁRIO

A 11 de Maio de 1991, o governo publicou uma lei que autorizava a criação de novos partidos, pondo fim ao Mono- partidarismo. A 22 de Maio os últimos cubanos saíram de Angola. Em 31 de maio de 1991, com a mediação de Portugal, EUA, União Soviética e da ONU, celebraram-se os acordos de Bicesse (Estoril), terminando com a guerra civil desde 1975, e marcando as eleições para o ano seguinte.

PRIMEIRAS ELEIÇÕES GERAIS

As eleições de Setembro de 1992, deram a vitória ao MPLA (cerca de 50% dos votos). A UNITA (cerca de 40% dos votos) não reconheceu os resultados eleitorais. Quase de imediato sucedeu-se um banho de sangue, reiniciando-se o conflito armado, primeiro em Luanda, mas alastrando-se rapidamente ao restante território.

SANÇÕES À UNITA

Em 1993, o Conselho de Segurança das Nações Unidas embargou as transferências de armas e petróleo para a UNITA. Tanto o governo como a UNITA acordaram em parar as novas aquisições de armas, mas tudo não passou de palavras.

PROTOCOLO DE LUSAKA

Em Novembro de 1994, celebrou-se o Protocolo de Lusaka, na Zâmbia entre o Governo Angolano e a UNITA. A paz parecia mais do que nunca estar perto de ser alcançada. A UNITA usou o acordo de paz de Lusaka para impedir mais perdas territoriais e para fortalecer as suas forças militares. Em 1996 e 1997 adquiriu grandes quantidades de armamentos e combustível, enquanto ia cumprindo, sem pressa, vários dos compromissos que assumira através do Protocolo de Lusaka.

Entretanto o Ocidente passara a apoiar o Governo Angolano, o que marcou o declínio militar e político da UNITA, com este movimento a ter cada vez mais dificuldades em financiar as suas compras militares, perante o avanço no terreno das FAA, e dado o embargo internacional e diplomático a que se viu votada.

MORTE DE JONAS SAVIMBI

Em Dezembro de 1998, Angola retornou ao estado de guerra aberta, que só parou em 2002, com a morte de Jonas Savimbi, líder da UNITA, ocorrido aos 22 de Fevereiro.

Com a morte do líder histórico da UNITA, este movimento iniciou negociações com o Governo de Angola com vista à deposição das armas, deixando de ser um movimento armado, e assumindo-se como mera força política.

PAZ EFECTIVA

O fim da guerra civil em 2002 constitui assim o acontecimento mais importante no agora. Se, por um lado chegou o momento para, em termos políticos, consolidar a democracia, desenvolver o espaço que permita o exercício dos direitos de cidadania consagrados na constituição, igualmente, em termos económicos, chegou o momento de se dar início ao processo de arranque da economia, motor essencial para se empreender outros projectos, como seja, a edificação do estado social.

Passados 27 anos da Independência e 41 do início da Luta Armada, eis que a Paz finalmente é consolidada a 04 de Abril de 2002 pelos acordos assinados no Luena, Moxico. 80.000 Soldados da UNITA depõem as armas e são integrados na sociedade civil, nas Forças Armadas Angolanas e na Polícia Nacional.

A UNITA, é transformada em partido político, tem o seu papel na vida democrática do país. A Reconciliação Nacional e o Processo de Desenvolvimento e Reconstrução Nacional são para o Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, os principais objectivos da paz definitivamente alcançada em 2002, após longos anos de luta e negociações.

Desde 1992, ano das primeiras eleições gerais, que a democracia multipartidária governa Angola. O MPLA em conjunto com a UNITA e outras forças políticas com assento parlamentar, geriu magistralmente a reconstrução de um dos países de futuro mais promissor de toda a África que, no entanto, paradoxalmente com a sua riqueza natural vive ainda uma duríssima realidade. No âmbito de uma ampla programação empurrando Angola para a modernidade, progresso e riqueza, novas eleições foram realizadas em 2008.

O MPLA, que sempre governou desde a Independência, soube preservar a identidade nacional. Do MPLA, saíram os três Presidentes que Angola teve até ao momento. O primeiro, o fundador da Nação Angolana, o Dr. António Agostinho Neto, o segundo Presidente da República, o Eng. José Eduardo dos Santos e o actual, o General João Manuel Gonçalves Lourenço, investido nas vestes de Chefe de Estado Angolano em 24 de Outubro de 2017.

Na cena internacional, Angola vem dando forte apoio a iniciativas que promovam a paz e a resolução de disputas regionais, favorecendo a via diplomática na prevenção do conflito e a promoção dos direitos humanos.

Constituição de Angola
Destacando que a Constituição da República de Angola que data de 1975, sendo sucessivamente revista, (Clique aqui na Constituição de Republica de Angola) se filia e enquadra directamente na já longa e persistente luta do povo angolano, primeiro, para resistir à ocupação colonizadora, depois para conquistar a independência e a dignidade de um Estado soberano e, mais tarde, para edificar, em Angola, um Estado democrático de direito e uma sociedade justa;

Invocando a memória dos nossos antepassados e apelando à sabedoria das lições da nossa história comum, das nossas raízes seculares e das culturas que enriquecem a nossa unidade;
Inspirados pelas melhores lições da tradição africana — substrato fundamental da cultura e da identidade angolanas;

Revestidos de uma cultura de tolerância e profundamente comprometidos com a reconciliação, a igualdade, a justiça e o desenvolvimento;
Decididos a construir uma sociedade fundada na equidade de oportunidades, no compromisso, na fraternidade e na unidade na diversidade;
Determinados a edificar, todos juntos, uma sociedade justa e de progresso que respeita a vida, a igualdade, a diver-sidade e a dignidade das pessoas;

Relembrando que a actual Constituição representa o culminar do processo de transição constitucional iniciado em 1991, com a aprovação, pela Assembleia do Povo, da Lei n.° 12/91, que consagrou a democracia multipartidária, as garantias dos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos e o sistema económico de mercado, mudanças aprofundadas, mais tarde, pela Lei de
Revisão Constitucional n.° 23/92.